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Mais do que Compliance: Dados como ativo estratégico do mercado financeiro

  • - Thaissa Gentil
  • 2 min read

Como bancos e seguradoras podem transformar dados em valor real

Por Thaissa Gentil, Head of Brand Sales Latam da LiveRamp

A digitalização dos serviços financeiros no Brasil é um fato consolidado. O mobile banking já responde por mais de 80% das transações no país, segundo a Febraban, enquanto o ecossistema de fintechs e insurtechs (empresas de tecnologia que utilizam inovação para otimizar o setor de seguros)  cresce em ritmo acelerado.

A engrenagem digital já roda — e bem. Mas há uma peça que ainda gira devagar, pouco ou nada explorada: o uso estratégico dos dados dos clientes.

Os bancos têm, nas mãos, volumes imensos de dados transacionais, comportamentais e de jornada. As seguradoras, por sua vez, acumulam histórico detalhado de apólices, sinistros e perfis de risco. No entanto, esses dados seguem sendo subutilizados — ou, pior, tratados apenas como insumo operacional, e não como ativo estratégico.

Claro, existe a LGPD. Existe o compliance. Existe o receio — legítimo — de ultrapassar a linha do consentimento e do bom senso. Mas é justamente aí que mora a oportunidade.

Hoje, tecnologias como os clean rooms de dados permitem que instituições compartilhem dados pseudonimizados com parceiros, em ambientes seguros, com rastreabilidade e governança, sem violar a privacidade do consumidor. É possível, por exemplo, que um banco cruze dados de comportamento de compra com plataformas de entretenimento, turismo ou saúde, criando ofertas de valor contextual — tudo sem identificar diretamente o cliente. E, ainda assim, entregar personalização.

Pense no impacto de uma campanha conjunta entre um banco e uma plataforma de ingressos, oferecendo acesso antecipado a shows para clientes de cartão premium com histórico de consumo cultural. Ou em uma seguradora que, ao cruzar dados com companhias aéreas, ofereça seguro-viagem no momento da compra da passagem — e não dias depois, por canais desconectados. Ou ainda, num cenário em que o cliente compra um carro novo e, já no showroom digital, recebe uma proposta de seguro automatizada, com base em dados previamente autorizados.

Esses exemplos não são futuristas — são cenários plenamente possíveis com as tecnologias e regulamentações já disponíveis no Brasil. Se algumas instituições já estão explorando esse caminho, ótimo. Mas há sinais de que o setor como um todo ainda pode ir muito além do que tem feito até agora.

A oportunidade está posta. A questão é: quantos estão prontos para capturá-la?